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O uso de probióticos na alimentação animal

Por Hugo Monteiro

Ao falar de probióticos, vamos destacar as leveduras, que são fungos extremamente benéficos para a humanidade pela ampla utilização na produção de alimentos. O fungo Saccharomyces cerevisiae, é a principal levedura pesquisada, pois é utilizada na produção de cerveja, de vinho, de pão, de combustível e de uma variedade de agentes bioquímicos e terapêuticos.

Na nutrição animal, as leveduras constituem um produto com alto número de células de Saccharomyces cerevisiae vivas e sem a adição do meio de cultura, que é o meio onde os microrganismos se desenvolvem. Por ser uma excelente fonte de nutrientes, essas leveduras têm sido utilizadas há anos na nutrição animal, fornecendo proteínas, carboidratos e vitaminas do complexo B.

As leveduras podem ser utilizadas também como “cultura de levedura”, que é um produto que contém células vivas e mortas de S. cerevisiae, além do meio utilizado para seu desenvolvimento, recebendo nesse caso, o nome de probiótico. A parede celular das leveduras contém alguns componentes denominados, glucano e manano, que estão presentes na proporção de 30 a 45% cada, dependendo das condições de preparo da cultura. Estes oligossacarídeos protegem a parede celular do meio externo e promovem a integridade estrutural da levedura. Os -Beta–glucanos (BG) constituem a camada interna da parede, e os mananoligossacarídeos (MOS), a camada externa, cobrindo a camada de BG.

Os resultados científicos mais recentes sobre a suplementação animal com leveduras ou culturas de leveduras relatam aumento na ingestão de matéria seca, na produção de leite e alterações na composição do leite de vacas leiteiras alimentadas com culturas de leveduras. Em animais confinados os resultados tem mostrado que as leveduras podem controlar a redução de pH ruminal em dietas com alta inclusão de grãos. É importante destacar que outros fatores como a fase do ciclo de lactação, o tipo de forragem fornecida, a estratégia de alimentação e a proporção de volumoso e concentrado da dieta podem afetar a resposta.

Atividade das Leveduras

Entre as diversas ações atribuídas às culturas de leveduras, umas das principais é que as leveduras tem papel importante na remoção do oxigênio do rúmen, o que implicaria no aumento da viabilidade bacteriana, pois apesar de ser considerado um meio totalmente anaeróbio, o gás produzido no rúmen contém de 0,5 a 1% de oxigênio. Por ser tóxico para as bactérias ruminais, o oxigênio inibe o crescimento bacteriano e a adesão das bactérias celulolíticas à fibra, o que diminui a eficiência do processo digestivo. Assim, quando culturas de Saccharomyces cerevisiae são adicionadas à dieta de ruminantes, o número de bactérias no rúmen é aumentado, provavelmente devido à atividade das leveduras, que protegem as bactérias anaeróbias contra danos causados pelo oxigênio e proporciona uma melhor fermentação ruminal.

Outra forma de ação das leveduras sugerida pelos pesquisadores é a redução da concentração de ácido lático no rúmen, o que promoveria a manutenção de um pH mais adequado aos microrganismos e ambiente ruminal mais estável.

Outro aspecto que precisa ser destacado é o papel das bactérias intestinais, que são componentes do sistema imune do intestino, promovendo o equilíbrio entre absorção, secreção e controle de agentes patogênicos. Uma microflora intestinal normal é essencial para manter a saúde do animal. Quando ocorre um desequilíbrio entre a flora benéfica e a prejudicial, os animais podem apresentar inflamações, infecções, diarréia e outras doenças.

Os principais mecanismos de defesa contra infecções causadas por microrganismos patogênicos no intestino são a mucosa intestinal intacta e o sistema imunológico eficiente. Um dos mecanismos mais comuns de danos ao trato digestivo causados por microrganismos ocorre por meio da fixação das bactérias nas células epiteliais da parede do intestino, muito utilizado pelas bactérias gram-negativo, como as Salmonellas. Essas bactérias possuem estruturas denominadas de fímbrias, que facilitam a ligação entre as lecitinas, presentes na sua superfície, e o receptor, presente na célula do epitélio do intestino. Para muitos microrganismos, a habilidade de aderir ao epitélio intestinal é essencial para sua permanência e desenvolvimento, evitando serem removidos com os movimentos peristálticos.

Portanto, um método para prevenir a colonização do intestino por agentes patogênicos é saturar os receptores do epitélio. Os oligossacarídeos, MOS e BG, apresentam uma alta afinidade ligante e podem aderir às fímbrias bacterianas, bloqueando a adesão das bactérias à superfície intestinal. Com isso, além da menor incidência de infecções tem-se a mucosa inteiramente apta às suas funções de secreção, digestão e absorção de nutrientes.

O princípio de funcionamento desse mecanismo consiste na ocupação física dos sítios de ligação do epitélio intestinal pelas bactérias benéficas, formando uma barreira física contra as bactérias patogênicas. Estas bactérias patogênicas, ao se ligarem aos MOS, não se ligam a sítios de ligação dos enterócitos e movem-se com o bolo fecal, o que impede a colonização do trato intestinal.

Ainda, os oligossacarídeos, principalmente os BG, agem como estimuladores da imunidade, por terem a habilidade de estimular células do sistema imune, como os neutrófilos e os macrófagos. Ao influenciarem diferentes funções de macrófagos e outras funções celulares, os oligossacarídeos promovem uma rápida resposta de defesa. Portanto, estes componentes da parede celular da levedura podem beneficiar a resposta imune local ou sistêmica, modulando o sistema imune e resultando em aumento na resposta de neutrófilos e células T.

Desta forma, a inclusão de cultura de levedura ou extratos de parede celular na dieta animal poderá alterar a flora intestinal, aumentando o número de microrganismos benéficos e diminuindo as bactérias patogênicas, modulando o sistema imune e melhorando a saúde do animal. Assim, pode-se ver que há grandes possibilidades de melhoria na produção animal com o uso de microrganismos benéficos como as leveduras, também denominados probióticos, nas rações e suplementos destinados a alimentação dos animais domésticos. No entanto, é fundamental ter conhecimento da procedência destes probióticos, pois como se tratam de microrganismos, a tecnologia de produção é complexa e poucas são as empresas que realmente conseguem produzi-los com controle de qualidade.

Referências Bibliográficas

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