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Importância da qualidade da fonte de fósforo da dieta

Os minerais essenciais aos ruminantes são divididos em macro e micro-elementos.

  1. Os macro-elementos são: cálcio, fósforo, cloro, sódio, potássio, magnésio e enxofre;
  2. Os micro-elementos são: cobalto, cobre, ferro, iodo, manganês, selênio, zinco, e mais recentemente tem sido explorado a importância do cromo.

Todos estes minerais devem ocorrer na dieta dos animais de forma equilibrada no sentido de atender as exigências de manutenção e produção. Como em praticamente todas as dietas há deficiência de um ou outro elemento, devemos fazer a suplementação destes aos animais. Entretanto, não podemos nos esquecer que mesmo para os minerais essenciais há problemas de intoxicação se forem fornecidos em excesso. No entanto, os maiores problemas podem ocorrer com os elementos chamados de metais pesados, ou seja, elementos com densidade normalmente superior a 5 g/litro.

Como o leite e a carne são alimentos nobres da cadeia alimentar, se os animais consumirem suplementos com níveis acima dos aceitáveis de metais pesados, eles chegam até o organismo humano. A atenção dos produtores de carne e leite deve ser constante, pois a cada dia se intensifica a exigência do mercado para os quesitos qualidade do produto e segurança alimentar, basta vermos os problemas econômicos decorrentes dos casos de febre aftosa.

No caso da Comunidade Européia, por exemplo, o texto consolidado do documento CONSLEG-2001R0466 dos Serviços de Publicação da Comunidade Econômica Européia, fixa os teores máximos de certos contaminantes em gêneros alimentícios, dentre estes os metais pesados. A preocupação deve existir principalmente porque os metais pesados podem ocorrer em praticamente todas as fontes de minerais utilizadas na nutrição animal, não apenas nas fontes de fósforo. No entanto, não podemos esquecer que as fontes de fósforo se constituem nos principais componentes dos diferentes suplementos minerais utilizados no Brasil.

Com relação ao uso de diferentes fontes de fósforo em suplementos minerais houve-se alteração na legislação que regulamenta o uso das mesmas através das Portarias MAA/SDR 20, de 6 de junho de 1997 e MAPA/SARC 006, de 4 de fevereiro de 2000, que permitem concentrações de até 2000 mg de fluor/kg de suplemento. Assim, abriu-se a possibilidade do uso de outras fontes de fósforo em suplementos minerais, que não seja o fosfato bicálcico, a fonte internacionalmente aceita como padrão. Entre estas fontes encontram-se, os fosfatos de rocha, o fosfato monoamônio, e o supertriplo.

Os teores de flúor e de alguns metais pesados em todas estas fontes, obtidas da rocha, são menores nas rochas brasileiras, de origem ígnea, do que em rochas de origem sedimentar, encontradas em outros países que tradicionalmente produzem fosfatos. Mas isto não nos isenta de preocupações, pois nos fosfatos brasileiros não convencionais as concentrações de metais pesados também podem ser altas e preocupantes. Além disso, no Brasil não há uma fiscalização efetiva sobre a origem e a qualidade destas matérias primas nos produtos comercializados e adquiridos pelos pecuaristas.

Os metais pesados que trazem maiores preocupações são:

  • Arsênio;
  • Cádmio;
  • Mercúrio;
  • Vanádio;
  • Chumbo.

A AAFCO estabelece que os níveis máximos aceitáveis de elementos pesados na dieta dos animais devem ser:

  • 50 mg/kg para o arsênio;
  • 0,5 mg/kg para o cádmio;
  • 2 mg/kg para o mercúrio;
  • 10 mg/kg para o vanádio;
  • 30 mg/kg para o chumbo.

Considerando as diferentes fontes de fósforo utilizadas pela indústria, poderíamos concluir que com boa parte das situações estes níveis não seriam atingidos. No entanto, não podemos ignorar o fato de que estes elementos são cumulativos no organismo dos animais e do homem. Os animais de produção têm ciclo de vida curto, mas os homens vivem mais e se consumirmos carne e leite com níveis mais elevados de metais pesados, enfrentaremos todos os problemas de saúde ligados a estes elementos. Os trabalhos realizados por vários pesquisadores brasileiros têm comprovado que o fosfato bicálcico é uma fonte segura e livre de contaminação por estes elementos.

É importante que os produtores rurais utilizem suplementos minerais de origem segura, que contenham em sua composição, como fonte de fósforo, o fosfato bicálcico. No caso de suplementos que contenham outras fontes de fósforo em sua composição, é fundamental o monitoramento dos metais pesados, pois o atendimento das Portarias do Ministério quanto aos níveis de flúor não assegura a qualidade do produto.

A insegurança é grande devido à alta variabilidade nas concentrações destes elementos nestas fontes. Tendo como exemplo o cádmio, um dos maiores problemas, em fosfatos de rocha podemos encontrar concentrações variando de pouco menos de 2 mg/kg até 93 mg/kg dependendo da origem do material, uma variação de mais de 46 vezes. No supertriplo o cádmio pode variar de pouco menos de 1 mg/kg até próximo de 20 mg/kg, um aumento de 20 vezes.

Todos estes fatos devem ser considerados na escolha do suplemento mineral a usar, sem nos esquecermos que a cada dia temos que produzir com maior eficiência e atender a padrões mais elevados de qualidade e segurança alimentar.

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