A importância da qualidade da água para vacas leiteiras

Por Hugo Monteiro

A água normalmente é relegada a um segundo plano como nutriente, mas sem dúvida quando analisamos a fisiologia animal vamos verificar que é o nutriente mais importante. Este fato mostra que problemas com ingestão de água podem levar a problemas na produção de leite, no crescimento dos animais e na saúde.

As vacas necessitam de um suprimento adequado de água de boa qualidade para inúmeras funções orgânicas, dentre as quais podemos destacar algumas:

  • Fermentação normal no rúmen e seu metabolismo;
  • Fluxo adequado do alimento através do trato digestório;
  • Adequada digestão e absorção dos nutrientes;
  • Volume de sangue normal;
  • Irrigação de todos os tecidos.

Quando consideramos as exigências de água, deve-se incluir a água de bebida e a água presente nos alimentos consumidos pelo animal, e estas exigências dependem principalmente do nível de produção, da ingestão de ração e da temperatura ambiente. Dentre as possíveis causas de inadequada ingestão de água destacamos:

  1. Problemas no suprimento adequado de água: corrosão de válvulas, canos enferrujados, bóia em mau funcionamento;
  2. Pressão insuficiente no sistema dificultando o acesso de vários animais em um curto espaço de tempo;
  3. Baixa qualidade
    – Acidez elevada;
    – Alcalinidade elevada;
    – Presença de sulfeto de hidrogênio;
    – Presença de sulfatos de ferro e manganês;
    – Alto conteúdo de sólidos totais dissolvidos.
  4. Poluição
    – Alta contagem de bactérias: coliformes fecais ou não, Streptococcus, Pseudomonas;
    – População elevada de algas verdes e azuis;
    – Presença de produtos químicos: os principais locais de contaminação são a fonte de água, os tanques ou reservatórios e os bebedouros (resíduos de alimentos e fezes)
  5. Cerca elétrica
    – Voltagem da cerca elétrica: próximo aos bebedouros, ao redor da área onde os animais descansam.

Considerando a importância do consumo adequado de água, é fundamental identificarmos quais são os sinais de inadequada ingestão de água, e neste sentido podemos destacar alguns:

  1. Fezes duras/constipação;
  2. Baixa produção de urina;
  3. Consumo não freqüente: verificar o hematócrito, pois normalmente poderá estar acima de 38. Causas importantes de consumo não freqüente são desidratação por intoxicação e febre;
  4. Queda inexplicável na produção de leite;
  5. Ato freqüente de beber urina, que poderá indicar falta de sódio, potássio e proteína na dieta.

A ingestão excessiva de água também não é um bom sinal e pode indicar problemas, e as possíveis causas de excessiva ingestão são:

  1. Ingestão excessiva de sal ou bicarbonato de sódio;
  2. Produção de urina excessivamente alta indicando contaminação da água ou dos alimentos com mercúrio, ou excessiva ingestão de proteína, nitrogênio não protéico ou nitrato.

Os sinais de consumo excessivo de água são: excessiva produção de urina, e defecação anormal, onde os animais apresentam diarréia (normal na cor e cheiro).

É muito importante o monitoramento da ingestão de água, mantendo uma periodicidade ao longo do ano. Para que tenhamos sucesso no empreendimento é fundamental cuidarmos da qualidade da água. Dentre as diversas categorias do rebanho, as vacas são os animais mais sensíveis à qualidade da água. É muito comum vacas leiteiras consumirem mais de 60 litros de água por dia.

Propriedades que ficam próximas de áreas de mineração e áreas industriais podem ter problemas com a água de drenagem destas áreas. É fundamental destacarmos algumas recomendações: Para manutenção de equipamentos a contagem de coliformes totais deve ser igual a zero, e a contagem de bactérias totais deve ser baixa. Para o consumo animal a contagem de coliformes fecais deve ser igual a zero para bezerros, e para animais adultos deve ser menor que 10.

Água contaminada afeta de forma prejudicial aos animais, sendo que as maiores perdas e problemas ocorrem com bezerros, haverá um maior número de vacas fora do alimento e apresentado quadro de Cetose, aumenta o número de casos de diarréia crônica ou intermitente e de infecções. Para a manutenção de bebedouros e tanques é importante lavar e sanitizar semanalmente, mantendo os bebedouros e tanques livres de contaminação. É muito importante também verificar a funcionalidade, o suprimento e o espaço para as vacas nos bebedouros.

Em sistema free-stall deve-se adequar um tanque para cada 40 vacas, com fluxo de 50 –a 60 litros/minuto e pressão de 20 libras. Avaliações recomendadas:

  1. Avaliação básica três vezes ao ano para: bactéria total, coliforme total, pH e nitrato;
  2. Para a avaliação e diferenciação de bactérias deve-se coletar água fresca, conservada no gelo e amostrada em recipientes estéreis. Análise para Coliformes e Streptococcus fecais;
  3. Avaliações químicas intermediárias: total de sólidos dissolvidos, Ca, Fe, Mg, Cu, Na, Mn, acidez total, dureza, índice de saturação, sulfatos e cloretos;
  4. Metais tóxicos: Ar, Cr, Hg, Ba, F, Mo, Cd, Pb e Sr;
  5. Moléculas orgânicas: agrotóxicos.

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